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Archive for the ‘governo’ Category

não sou contra, nem a favor. muito pelo contrário…

Se há aspectos que me incomodam, principalmente junto de pessoas com responsabilidades, é esta coisa da abstenção, e especialmente em assuntos de elevada importância como é o caso do Orçamento de Estado.

Ou se concorda e aprova-se. Ou não se concorda e propõem-se alterações. Depois é ver se as mesmas são ou não aceites.

A mim, parece-me mais algo como “diga o que disser levo por tabela, por isso deixa-me ficar no meu canto“.

Eu sei que apresentar propostas sérias dá trabalho, mas  é disso que precisamos.

Categories: governo, oe2012, política, ps

da igualdade de tratamento: os transportes públicos

Diversas têm sido as notícias vindo a lume sobre os transportes públicos na área do Grande Porto e Grande Lisboa. Fala-se da sua privatização ou não, entre variados outros aspectos.

O que me admira que ninguém fale, é o motivo destes transportes públicos (Carris e STCP, principalmente) sejam em grande parte pagos pelo estado, quando em outros locais são as Câmaras Municipais (Guimarães, Vila Real, e muitas outras) que assumem, praticamente, a totalidade dos custos (associado, obviamente, aos valores pagos pelos clientes desses mesmos serviços).

Pelo aumento do vencimento dos deputados nacionais

Uma das discussões que, aqui ou ali, vou tendo, acontece quando me ouvem defender uma ideia muito simples: a ideia de que os políticos em Portugal recebem mal e que, consequentemente, deveriam ter ordenados mais elevados.

Mas essa não é, per si, uma ideia de defendo. Concretamente, defendo essa ideia, mas com um conjunto de outras regras e alterações, quer eleitorais, quer parlamentares.

No que se refere ao vencimento dos políticos nacionais, nomeadamente os deputados à Assembleia da República, a defesa de um vencimento maior prende-se apenas com o sentimento de que este aumento motivaria outras pessoas, indivíduos com provas dadas na sua prática profissional, para entrar na vida política nacional.

Mas a este aumento não ela uma alteração única. Associado a esta deveria haver mais algumas, nomeadamente a redução do número de deputados, a eleição directa (pelo menos) do primeiro-ministro e a alteração da metodologia de eleição dos deputados nacionais.

Desenvolvendo um pouco mais estas ideias, a alteração principal passaria pela forma como os deputados seriam eleitos. Assim, em vez de existir a votação numa lista de candidatos em cada distrito (ou circulo eleitoral), a votação passaria a ser realizada com listas uninominais. Ou seja, qualquer pessoa poder-se-ia apresentar como candidato a deputado, sendo eleitos aqueles que tivessem mais votos no respectivo distrito.

Por exemplo, Vila Real elege cinco deputados, sendo normalmente três do PSD e dois do PS. Em vez desta distribuição, os cinco (ou menos – já lá vamos) indivíduos mais votados seriam os representantes desde círculo eleitoral na Assembleia da República. Penso que com isto se conseguiriam pessoas mais capazes, mais conhecedoras da realidade de cada região, fugindo-se às lógicas politico-partidárias existentes nestas eleições.

Para além deste aspecto, também o número de deputados diminuiriam. Assim, em vez dos actuais 230, seriam eleitos o mínimo que a Constituição permite. 140, salvo erro, tendo que existir aqui, obviamente, alterações no número de deputados que cada círculo eleitoral elege.

Por fim, e para além de todas estas modificações, no mesmo momento desta eleição haveria também eleições directas para o Primeiro-Ministro que, ao contrário do que hoje acontece (em que o Primeiro-Ministro não é eleito por ninguém) passaria a apresentar-se isolado a votos, podendo se assim atende-se apresentar as ideias para a constituição do seu governo. Assim, para além de todos terem, verdadeiramente, uma palavra (ou voto) a dizer sobre quem queriam que fosse o futuro chefe do governo, deixaria também de ter a lógica política até agora existente.

Para além de todos estes aspectos, estas alterações obrigariam ainda a uma verdadeira e real negociação com a Assembleia da República, para aprovação das diversas iniciativas legislativas.

Não é algo simples, mas penso que seria algo que ultrapassaria muitos dos actuais problemas da política actual.

pobreza, diminuição de rendimentos e criminalidade

A Ministra da Justiça revelou ontem que acredita, face à situação económica do país, que a incidência das práticas criminais deverá aumentar.

Concordando com estas afirmações, convém aqui deixar uma nota relativamente a este assunto. Isto porque, e ao contrário do que muitos acreditam e defendem, não é a pobreza que faz aumentar o crime, sendo o mesmo melhor explicado por uma diminuição rápida das capacidades económicas das pessoas.

A isso fiz referência nesta comunicação que apresentei em Novembro de 2010, no  âmbito das II Jornadas de Criminologia da Universidade Fernando Pessoa.

Aliás, na ocasião, apresentei uma pequena análise estatística, tendo por base os dados oficiais da criminalidade e de outras variáveis sócio-económicas, que se traduziram em resultados bastante claros, como é visível no slide que reproduzo aqui.

É aqui visível a relação existente entre o aumento da taxa de desemprego ao longo dos últimos anos com o aumento de diferentes tipologias criminais.

Com estes dados é relativamente simples concordar com algumas explicações teóricas (reproduzidas na referida comunicação) assim como, e isto poderá ser relevante para a interpretação de alguma políticas sociais de combate ao desemprego, com a irrelevância das políticas de protecção ao desemprego em Portugal.

Assim, e fazendo fé das declarações da Ministra da Defesa, importaria perguntar que medidas no âmbito da prevenção situacional (e não só) estão a ser tomadas de forma a impedir este provável aumento da criminalidade.

Porque se o é provável, também existem medidas que poderão colmatar e prevenir o mesmo.

a troika e as ordens profissionais

Num momento em que o processo da ordem dos profissionais de Serviço Social está a fazer o seu caminho, talvez seja bom estar atento ao que o memorando de entendimento estabelecido pela troika (FMI, CE e BCE) refere sobre as profissões regulamentadas, até porque este será o verdadeiro programa de governo para os próximos anos.

«5.31. Eliminar as restrições à utilização de comunicações comerciais (publicidade), em profissões regulamentadas, como é exigido pela Directiva relativa aos serviços (3T 2011).

5.32. Rever e reduzir o número de profissões regulamentadas e, nomeadamente, eliminar as reservas de actividades sobre as profissões regulamentadas que já não se justificam. Adoptar a lei para as profissões não regulamentadas pelo Parlamento (3T 2011) e apresentar ao Parlamento a lei para aquelas que são regulamentados pelo Parlamento (3T 2011) para ser aprovada até (1T 2012).

5.33. Adotar medidas para liberalizar o acesso e exercício das profissões regulamentadas por profissionais qualificados e estabelecidos na União Europeia. Adoptar a lei para as profissões não regulamentadas pelo Parlamento (3T 2011) e apresentar ao Parlamento a lei para aquelas que são regulamentados pelo Parlamento (3T 2011) para ser aprovada até (1T 2012).

5.34. Continuar a melhorar o funcionamento do sector das profissões regulamentadas (tais como contabilistas, advogados, notários), realizando uma revisão abrangente dos requisitos que afectam o exercício da atividade e eliminar aqueles que não estão justificadas ou não são proporcionais. (4T 2011)»

Com o devido agradecimento ao blog «aventar» pela tradução do documento.

sondagens, coligações e o futuro governo…

Num momento em que as sondagens que vão surgindo indicam alguma inconsistência no partido vencedor das próximas eleições legislativas, existe um cenário que, face às declarações dos principais intervenientes, temos que colocar e sobre a qual temos que reflectir.

 

É praticamente garantido que nenhum partido (quer Socialista, quer Social Democrata) vai conseguir obter uma maioria absoluta.

Para além disso, e até face ao que ambos os grupos políticos declararam, não será expectável nem pensável que Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português, façam parte de uma qualquer solução de governo maioritário com a liderança do Partido Socialista.

 

Face a isso, importa recordar também que, quer Pedro Passos Coelho, quer Paulo Portas já afirmaram que nunca aceitariam uma coligação que incluísse unicamente o seu partido e o partido liderado por José Sócrates. E Cavaco Silva já disse por diversas vezes (a a troika também) que Portugal necessita de um governo maioritário.

 

Desta forma, e face aos resultados eleitorais, penso que só haverão duas possibilidades realistas: um governo de coligação PSD/CDS-PP no caso de ambos os partidos garantirem uma maioria parlamentar, ou uma coligação PSD/PS/CDS-PP no caso dessa maioria não acontecer.

 

E a primeira não está dependente do partido que obtiver mais votos nas próximas eleições…

só falta aplicar o “era” a José Sócrates

As últimas declarações da Troika em Portugal apenas nos podem levar a uma conclusão:
Nem agora José Sócrates é capaz de deixar de mentir, nem agora José Sócrates é capaz de ter a honestidade de admitir que errou.

 

Era o PEC IV, do qual íamos ter saudades, que afinal não era suficientemente rigoroso, não conseguindo responder às necessidades do país.
Era o Plano de Ajustamento que era muito mais suave do aplicado na Irlanda e na Grécia.
Era a não necessidade de solicitar o apoio do FEEF/FMI, porque resolveríamos tudo sozinhos.

E agora, como refere Juergen Kroeger, ficamos a saber que as medidas poderiam ser muito mais suaves se esse pedido tivesse sido feito com maior antecedência, e que mesmo as medidas que já estavam a ser aplicadas, não o estavam a ser da forma correcta e, consequentemente, não estavam a ser atingidos os objectivos.

Só nos resta saber (e ainda bem que não o iremos saber) o que seria se esse PEC VI tivesse sido aprovado e quanto PSC’s viriam a seguir,

Não admira portanto que José Sócrates não queira comentar essas mesmas declarações…

das ideais na pré-campanha eleitoral…

É curioso e sintomático o que resulta duma consulta às páginas dos dois principais partidos portugueses (Partido Social Democrata e Partido Socialista). Estando Portugal a pouco mais de dois meses das eleições legislativas, seria normal esperar que existissem propostas de ambos os partidos.

Não falo já dos programas eleitorais, mas de ideias algo concretas sobre o que se defende para o futuro de Portugal.

Mas a consulta das tais páginas é, na minha opinião conclusiva. A do PSD apresenta ideias defendidas por Pedro Passos Coelho enquanto que a do Partido Socialista apresenta críticas a essas mesmas propostas. Nada mais…

já vi, não gostei e não quero novamente…

Sócrates apresentou a demissão do cargo de Primeiro-Ministro e vamos ter eleições antecipadas.

Para mim, esta situação apenas peca por tardia. A descrença e o estado ao qual este Governo Socialista conduziu o país já devia ter feito com tal situação ocorresse mais cedo. Ou melhor, nunca deveria, sequer, ter sido dada a possibilidade nas últimas eleições, mas assim decidiram a maioria dos eleitores e democracia é (também) isto.

Mas como, (o que é estranho visto estarem “à porta” eleições para secretário geral do PS) José Sócrates vai ser candidato, penso que será importante recordar algumas declarações de José Sócrates (e muitas mais existem)…

 

«não haverá aumento de impostos, porque a prioridade deste orçamento e dos próximos tempos será sem dúvida o crescimento económico e o emprego» 

«Apenas digo que é possível fazer melhor do que o que foi feito nos últimos três anos e recuperar os 150 mil postos de trabalho perdidos nesse mesmo período» 

«Digam o que disserem, mas ainda está para nascer um primeiro-ministro que tenha feito melhor no défice» 

«Decidimos aumentar o nosso défice não por descontrolo, mas para ajudar a economia, as empresas e as famílias» 

ainda sobre o post anterior…

… esperam-se as cenas dos próximos capítulos.

 

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